:: L I G E I R I C E S ::
Sobre as coisas e as pessoas


19.10.04

Sobre por que prefiro AS dentistas

Ir ao dentista é uma experiência única. Em que outro lugar alguém te deixa quieto durante tanto tempo fazendo comentários que exigiriam respostas de 5 frases, quando o máximo que você pode responder é han e han-han?

Depois que comecei o tratamento dentário esse ano, casualmente com uma dentista (e não com um dentista) me dei conta de que fiz a coisa certa. Explico o porquê.

Quandos eles chegam com aquela agulhona, não há como não ter medo (pelo menos para mim) . E embora não doa tanto (uma picadinha, com uma ardência e depois a sensação de que a agulha vai passar para o lado de fora de seu rosto ou que vai alcançar algum osso) tenho que confessar que algumas lágrimas ficam brincando de "saio"-"não saio" nos meus olhos. Não há como evitar. A primeira vez que a doutora Flávia me aplicou a anestesia, molhei o rosto mesmo. Depois de alguns minutos, qdo ela voltou com um outro equipamento parecido com uma agulhona (acho que era algum "colocador de resina") fiz uma cara de susto e de medo tão rápido que ela não pôde reprimir o riso. Depois me disse para ter calma, que aquilo não era uma agulha.

Por essas e outras, prefiro dentistas mulheres. De um jeito ou de outro, nós homens já não somos acostumados a não chorar na frente de outros homens!?? Se fosse UM dentista, eu teria que me controlar, fazer pose de machão-que-não-sente-dor e seria muuuito pior. E além disso, quem melhor do que as mulheres para provocar choro nos homens!?

ps.: Feinho parte 2 vem aí. Aguardem!

posted by Ligeirinho | 8:25 AM

Comentários:




15.10.04

Feinho, parte 1

Ele era triste. Triste e feio. Eu o conheci na quarta série, e soube rapidamente que ele era diferente. Muito, muito mais inteligente que o resto de nós. Em agosto, enquanto que a maioria de nós escrevíamos redações insossas sobre nossas férias, cheias de montanhas-russas dos parques e cavalos e vacas dos sítios, a dele era sobre como ele gostaria que tivessem sido as suas. Não lembro da redação, e mesmo que lembrasse creio que não conseguiria reproduzir aqui. Mas quando o ouvi lê-la para todos em voz alta, como a professora pediu para alguns de nós fazermos, senti um nó na garganta. ele falava sobre o jeito como ele queria que as pessoas o vissem, sobre quantos amigos gostaria de ter e sobre quanto as meninas suspiravam por ele. E era pura ficção, pois Feinho era o patinho feio da sala, e todos nós o tratávamos dessa maneira. Assim como eu, vários outros devem ter sentido remorsos o suficiente para sentirem o mesmo nó na garganta, e creio que tenhamos nos deparado pela primeira vez com o fato de que a crueldade do mundo está em toda parte, a começar de nós mesmos.
Feinho não era pequeno, mas era magro. muito magro. Ela loiro e tinha olhos claros, mas isso não havia sido suficiente para dotá-lo de beleza. Tinha uma boca com os lábios com aparência de molhados e descascados. Na verdade, nada nele combinava; ele parecia uma versão natural e ligeiramente suavizada de Frankstein.
Feinho tinha uma paixão. Quem não tem, com 10 anos de idade? Laodicéia, pele rosada cheia de sardas, uma beleza que misturava seda e talco. Acho que todos sabíamos de sua paixão, mas ninguém havia brincado sobre isso com ele. Ainda. Até que alguém viu Feinho olhando para Laodicéia sonhadoramente.

- O Feinho gosta da Laodicéia!!!!

Aquele grito foi o suficiente para que todos rissem de Feinho. Gostaria de poder dizer que não ri também, que fui solidário com Feinho e fiquei em silêncio, assumindo apenas a culpa dos omissos. Mas um dos que ria era eu.
Laodicéia ficou furiosa com aquilo. Nunca tinha tratado Feinho (muito) mal, mas assim que começaram a falar que ela também gostava dele, ela disparou.

- Até parece que vou gostar de alguém tão feio!!!

Feinho ficou quieto. Até chegou a ensaiar rir daquilo tudo conosco. Mas não conseguiu. Não conseguiu chorar, não conseguiu rir, e ficou ali, no meio de nós, com uma cara de pateta, apenas esperando que todos parassem de rir dele. A despeito de sua reação, ainda se passaram alguns minutos até que esquecêssemos daquilo e nos cansássemos daquele exercício de crueldade.

Depois daquele dia, Feinho passou a se esconder. Sumiu. Nas aulas, sentava-se o mais isoladamente possível. Fazia seus deveres, mas sem brilho, como que para não chamar a atenção. Nos recreios, desaparecia. Na verdade, não me lembro de nada de Feinho depois disso, a não ser ele chegando e indo embora, discretamente, triste e cabisbaixo.

posted by Ligeirinho | 9:17 AM

Comentários:




13.10.04

Por que o blog estava abandonado?

Não parece, mas é difícil manter um blog. Apesar de eu gostar de escrever apenas pequenas asneiras que talvez interessem a poucas pessoas além de mim, gosto de escrever com calma e sem pressa. Como calma e instantes sem estar com pressa são coisas que (felizmente) tem me faltado nas últimas semanas, dois meses se foram sem que eu escrevesse uma letra.

Se o blog fosse ficar para a posteridade, creio que se justificaria ser perfeccionista. Mas como creio que até mesmo eu em pouco tempo esquecerei as tolices que acaso escrever aqui, vou me dar a liberdade de escrever sem calma e com pressa. Espero conseguir assim reerguer esse blog, escrevendo pelo menos um post por semana.

posted by Ligeirinho | 8:32 AM

Comentários:


Twitter
Ligeirices Antigas
Livros que estou Lendo
Blog List
Leitura Diária
Eu
Sobre Mim
Contador
Meus Outros Blogs