28.4.04
Sobre sermos reponsáveis pela desonestidade alheia
Na fundação em que estou fazendo um curso de capacitação tecnológica cada bolsista recebeu uma senha pessoal para o uso do telefone. Desatento como sempre, deixei a folha com a senha ao lado do telefone, em nossa sala de reunões. Quando voltei, me avisaram sobre isso, mas não sem antes falarem que eu tinha vacilado, que alguém podia ligar pra Cochinchina, etc; enfim, que tinha faltado com minha obrigação em não deixar oportunidades para que outros fossem desonestos.
Quase como disse o baixinho do outro post na rodoviária, acho que estamos nos acostumando com uma situação de valores invertidos. Não é mais obrigação de cada um ser honesto, e sim dos outros em não deixarem oportunidades para a desonestidade alheia ocorrer. Se você esquecer um pacote, dinheiro, etc em algum lugar, não é mais obrigação do próximo devolver - afinal, se ele não pegar outro pegará. O errado foi você em esquecer.
Como gosto sempre de imaginar como as coisas seriam se extrapolássemos uma situação atual até o seu limite, não resisto a tentação de concluir que, no futuro, quem fizer algo assim ainda poderá ser preso por incitação ao crime! Duvidam?
posted by Ligeirinho |
6:55 PM
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26.4.04
Sobre um dos mais célebres engenheiros de todos os tempos!
Leonardo da Vinci: inventor do carro? - Jornal "o Globo", 24/04/2004
Leonardo da Vinci é reverenciado em todo o mundo como um mestre da pintura da Renascença e um inspirado engenheiro, mas poucos se referem a ele como o pai dos
modernos automóveis.
Na sexta-feira, entretanto, o Museu de História da Ciência de Florença - coração da Renascença italiana - revelou o primeiro automóvel, construído com base em indicações deixadas por Da Vinci em seus famosos cadernos de notas.
O veículo de aparência primitiva funciona impulsionado por molas e, provavelmente, foi projetado para produzir efeitos especiais em eventos da corte. Ainda assim,
garantem especialistas, foi o primeiro veículo com autopropulsão já criado.
O automóvel está longe de ser a primeira invenção descoberta nos misteriosos manuscritos de Da Vinci. Os estudos desses cadernos já revelaram projetos de
helicópteros, submarinos, tanques militares e bicicletas.
Ainda em 1905, Girolamo Calvi, um dos pioneiros nos estudos sobre Da Vinci, notou a semelhança entre os projetos do artista e os carros motorizados que começavam a
ganhar as ruas. Em 1936, Calvi se referiu aos desenhos de Da Vinci como 'o Fiat de Leonardo'.
Mas somente nos últimos anos os cientistas conseguiram interpretar corretamente seu projeto. O modelo apresentado em Florença é a primeira reconstrução.
posted by Ligeirinho |
6:16 PM
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23.4.04
Sobre a beleza
Amiga: Vocë acha aquele cara ali bonito???
Amigo: ah, desculpe, nao estou capacitado pra julgar beleza masculina.
Amiga: Que coisa machista!!!! Que tem de mais um homem dizer que acha outro bonito?
Amigo: Nada, acho. Mas a gente acha bonito o que é agradável aos olhos, e não me agrada ficar olhando pra homem!
Amiga: Nada a ver. Quando uma mulher acha uma outra bonita, diz. Puro preconceito homem não falar a mesma coisa!!!
Amigo: Sei lá ... que carro vocë acha mais bonito, o golf ou o astra?
Amiga: Ah, sei lá. Não ligo muito pra carro!
Amigo: hmmmm..... mas vocë conhece, não?
Amiga: Sim, claro.. mas nao fico comparando. Não tenho intençao de comprar um!
Amigo: Entao está explicado!!!!!
posted by Ligeirinho |
9:25 AM
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22.4.04
Sobre estar no Blogs of Note!
Pela segunda vez o Bloggerman me indica no Blogs of Note. Fico contente, principalmente pelas pessoas que entraram aqui e ainda não conheciam. Espero que voltem, espero que comentem e espero que, mais que discordar ou concordar, discutam junto comigo sobre o que eu escrevo e escrevi! Vejam e comentem os posts antigos também, por que isso aqui não é um jornal: as notícias antigas ainda valem!!!!
Um abraço para todos! Visitarei todos os links que me deixaram no devido tempo!!!!!
posted by Ligeirinho |
8:46 AM
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20.4.04
Sobre um Estudante descuidado e um Policial atento
Rodoviária de Campinas. O estudante universitário, de mochila nas costas, baixinho, daqueles que passa quase desapercebido, entra na lanchonete. Dentro há um policial conversando com o dono. Sem tirar a mochila, levando as mãos para trás, o estudante abre um zíper e retira a carteira. Faz seu pedido, sendo observado pelo policial. Enquanto o estudante recoloca a carteira na mochila após ser atendido o policial diz:
- Você abusa fazendo o que fez agora. Se um assaltante estivesse observando, tomaria essa sua carteira rapidinho... e você nem ia notar.
O dono da lanchonete concorda. O estudante, olha o policial com um sorriso de falsa condescendência e replica:
- Bem, eu sou um cidadão honesto. Não tenho que mudar meus hábitos por causa dos bandidos!!!! Quem tem que estar cercado de grades e olhando sempre para os lados, alerta, são os bandidos não eu!
- Mas você não pode ficar facilitando - responde o policial, levemente irritado.
- Bem, se preocupar com bandidos é a sua obrigação, não a minha. Se eu precisasse mudar todos meus hábitos por causa deles, para que vocês existiriam??
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10:37 AM
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13.4.04
Mais um Plágio do famoso poema de Maiakóvski
No primeiro dia eles vieram e me xingaram de bobão
Eu não fiz nada
no segundo dia eles vieram e mataram minha gata de estimação
E eu não fiz nada
No terceiro dia eles jogaram um bixo morto e fedido em frente da minha casa
E eu não fiz nada
No quarto dia me disseram que como eu trabalhava de graça meu trabalho não devia valer grande coisa
E eu não disse nada
No quinto dia eles vieram e tentaram tomar meu descongestionante nasal
.
.
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Aí eu passei o sexto e sétimo dia espancando todos eles!!!!!
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3:39 PM
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7.4.04
Sobre a notícia da semana
Dezenas de soldados da 'coalizão' foram mortos essa semana no Iraque, o Brasil fez bonito na ginástica olímpica, os EEUU querem nos colocar contra a parede (e de costas) no caso do enriquecimento do uränio. Mas para mim a notícia da semana foi o achamento do avião de Saint Exupery, 60 anos depois.
Encontrado avião de Saint Exupery, 60 anos após sua morte
MARSELHA, França, 7 Abr (AFP) - Os destroços do avião do escritor e piloto francês Antoine de Saint-Exupery, autor do livro "O pequeno Príncipe", foram descobertos no litoral de Marselha, quase 60 anos após seu desaparecimento, em 31 de julho de 1944, revelaram nesta quarta-feira fontes do departamento de Pesquisas Arqueológicas Subaquáticas e Submarinas (DRASSM).
Que o mundo caminha para a desordem (ou como diria a Mariana, ex-futura física e futura geóloga, que a entropia do mundo está aumentando) parece-me tristemente claro e irreversível. Mas que nossas pequenas ilusões infantis sejam mortas paulatinamente é algo insuportável. Para mim, é preferível ignorar essa notícia e continuar acreditando que Antoine simplesmente voou com seu teco-teco até o asteróide B612 e que continua lá até hoje.
posted by Ligeirinho |
10:09 AM
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5.4.04
Se tiverem paciencia, leiam até o fim...
De cientista louco eles não têm nem um pouco - (O Estado de São Paulo, 04/04/2004)
Evanildo da Silveira escreve para 'O Estado de SP':
Pesquisadores trabalham sério, mas estereótipo chega a prejudicar a atividade
'O senhor não parece um físico.' 'Ninguém diria que o senhor é biólogo.' Poucos são os cientistas que nunca ouviram frases como essas ou similares. Por trás delas está, na verdade, a visão estereotipada que grande parte das pessoas tem dos cientistas, como sujeitos meio malucos, excêntricos, desligados do mundo e concentrados apenas em seus laboratórios.
Mas não é bem assim. Cientista também é gente. Os estereótipos escondem pessoas como todo mundo, com os mesmos problemas e alegrias do dia-a-dia. Essa questão da imagem que a sociedade tem da ciência e do cientista é mais séria do que pode parecer. Há toda uma linha de pesquisa sobre percepção pública da ciência, desenvolvida em instituições de vários países. Também há livros e estudos sobre o assunto, que não são feitos apenas para matar a curiosidade do público ou dos próprios cientistas.
A maneira pela qual a sociedade os vê tem implicações no apoio e financiamento das pesquisas e, em última instância, no desenvolvimento científico e tecnológico de um país. 'O estereótipo, como a idéia de que cientistas são meio malucos e pesquisam algo sem aplicação prática, como se quisessem descobrir o sexo dos anjos, é prejudicial à ciência', diz o biólogo Célio Magalhães, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). 'Uma sociedade que não entenda e não veja os benefícios que a ciência pode trazer não entenderá a necessidade de apoiá-la e financiá-la.'
Fã de Asterix e da tirinha do Calvin, Magalhães garante que não se enquadra em nenhuma caricatura de cientista. 'Tenho uma vida extracientífica perfeitamente
normal', diz. 'Os meus poucos hobbies são comuns a muitos, como escutar música, escolher as minhas preferidas e gravar meus CDs de obras clássicas e jazz para escutar quando estou no carro ou no meu laboratório. Também gosto de ler, especialmente histórias de espionagem ou relatos de explorações.'
Dr. Frankenstein - Apesar de assegurar que os cientistas são normais, Magalhães arrisca um palpite sobre de onde surgiu a idéia de que todo cientista não bate bem. 'Conhecendo alguns colegas, até que não é tão difícil entender de onde vem esse estereótipo do cientista 'meio maluco', diz. 'Afinal, quem pensaria ser uma pessoa 'normal' aquele cara que se afunda até o pescoço na lama do Pantanal, ou de rios, em busca de caranguejos ou camarões sem objetivos comerciais, só para saber de que espécies são?'
O doutor em glaciologia Jefferson Cardia Simões, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem uma explicação diferente para a origem dos estereótipos dos cientistas. 'O mito do 'cientista meio maluco', sem preocupações com o cotidiano, é recente', diz. 'Começou a aparecer nos filmes B de Hollywood na década de 1930. E depois tem sido explorado de várias maneiras pela TV e a mídia em geral.'
Para o físico Marcelo Knobel, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no entanto, o mito é bem mais antigo. 'Ele deve ter surgido com Dr. Frankenstein,
criado em 1816 pela escritora Mary Shelley (1797-1851), que aparece como um cientista maluco', diz. 'A partir daí, surgiram inúmeros personagens de cientistas, alguns loucos, outros que queriam dominar o mundo, outros com invenções estranhas. E nesse sentido a nossa imagem foi sendo moldada pela literatura, pelo cinema, pelos quadrinhos. E o interessante é que alguns cientistas que tiveram muito espaço na mídia, como Einstein, por exemplo, se adaptaram bem ao estereótipo, reforçando-o.'
Tanto Simões como Knobel estão longe dessa caricatura. O primeiro, que coordena uma das redes de pesquisa do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), se considera uma pessoa comum. 'Sou um cientista de alto nível, treinado em uma das melhores Universidade do mundo (University of Cambridge, Inglaterra), com alta produção científica (pesquisador I do CNPq) e líder de grupo de pesquisa e da rede de pesquisas do Proantar', enumera. 'Mas sou casado há 20 anos, tenho dois filhos adolescentes e, portanto, preocupações comuns a todo marido e pai - educação, segurança, futuro dos filhos -, além de ver minha carreira ser desvalorizada pelo governo.'
Problemas iguais - De acordo com Simões, hoje um professor doutor com estágio de pós-doutorado e 15 anos de trabalho recebe salário líquido de cerca de R$ 3.500,00. 'Agora compare com o salário de R$ 3.700,00 que se oferece num concurso para a Polícia Rodoviária Federal, que exige somente 2.º grau', reclama. 'Ou seja, os cientistas sofrem os mesmos problemas do resto da sociedade. Eu, por exemplo, a muito custo, consegui só agora, aos 45 anos, comprar um apartamento financiado pelo sistema de habitação.'
Knobel, por sua vez, já cansou de ouvir pessoas dizer que ele 'não parece' um físico. 'Acho que, realmente, as pessoas esperam encontrar um personagem estereotipado, meio louco, desligado, descuidado com a aparência, com os cabelos despenteados', diz. 'Ou seja, elas estão esperando algo diferente do que realmente somos, que corresponda à sua expectativa de imagem.'
Ao contrário da maioria de seus pares, Knobel acredita que, por si só, o estereótipo não causa danos. 'O problema é que sempre seja relacionado com algo negativo', diz. 'O cientista, quando não é considerado meio bufão, brilhante, mas esquisito, descuidado, é considerado 'workaholic' ou mau, perigoso. Ou seja, quase sempre são características negativas e não há um contraponto positivo. Seria legal ver um contraponto, alguma imagem positiva. Nem heróica, nem esquisita, apenas normal, como uma pessoa que trabalha, tem família, tem hobbies, tem outras preocupações, ou seja, um cidadão comum.'
Imagem distorcida é universal
Crianças de vários países têm o mesmo modelo de pesquisador: homem de jaleco branco
A imagem do cientista como maluco, de gente que não é normal enfurnada em laboratório, não é exclusividade do Brasil. Ela é universal. Há vários estudos que
demonstram isso. Um deles foi publicado no livro Ciência e Educação - O Conflito Humano Tecnológico, do historiador da ciência Leopoldo de Meis, da UFRJ.
No capítulo A Visão da Ciência por Crianças e Adolescentes, Meis mostra os resultados de pesquisas que realizou no Brasil, nos EUA, na França, na Itália, no México, no Chile, na Índia e na Nigéria, com estudantes de três faixas etárias, 5 a 7, 10 a 13 e 15 a 17 anos. Como havia crianças que não saberiam se expressar de forma clara escrevendo, pediu-se a todos os pesquisados que desenhassem um cientista.
As imagens desenhadas praticamente por todas as crianças e adolescentes, em todos os países, eram muito semelhantes. 'Quase sempre foi a de um homem, de jaleco branco, trabalhando em um laboratório com vidraria, sugerindo um químico', diz Meis. 'Como desenhos eram semelhantes em todos os países, pode-se concluir que o fator cultural não influi na imagem que os jovens têm dos cientistas.'
O estudo mostrou, no entanto, algumas peculiaridades. Alguns estudantes brasileiros resolveram escrever, espontaneamente, um texto junto ao desenho que fizeram de um cientista. 'Em 18% das frases eles se referiam à ciência de forma positiva - 'ajuda a humanidade, ajuda as pessoas'', diz Meis. 'Em 20%, no entanto, as referências eram negativas - 'é perigosa, os cientistas são loucos'.'
Equações - Outra curiosidade das respostas foi que as equações matemáticas - o segundo elemento mais freqüente nos desenhos - apareceram com maior freqüência nas imagens feitas pelos estudantes da França, da Itália, do México e do Chile do que no Brasil e nos EUA.
'Também nos surpreendeu a ausência de computadores nas imagens, apesar de sua presença ser cada vez mais freqüente nos laboratórios e de aparecer em filmes associados a cientistas.' Em tempo: a vidraria também está sumindo dos laboratórios.
posted by Ligeirinho |
3:43 PM
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