11.3.04
Sobre maluquices para mudar o mundo
Existe algo mais desonesto do que heranças?
Não vejo nada demais que as pessoas acumulem riquezas devido ao seu próprio trabalho, inteligência e, vá lá, talento para ludibriar elegantemente os outros. Mas, se todos os homens nascem iguais, por que alguns nascem ricos e outros pobres?
Segundo Juliana, BBB4, autêntica filósofa contemporânea, as pessoas reencarnam ricas ou pobres de acordo com a grandeza de seu espírito. Apesar de achar a idéia obtusa e ridícula, não posso negar sua sinceridade pois, assim sendo, teríamos mesmo que aceitar riqueza e pobreza (inclusive extremas) como algo imutável. Pessoas que acreditassem nisso não teriam dificuldade em não se sentirem pequenas ao verem crianças maltrapilhas ou pessoas comendo lixo.
Como não acredito em reencarnação (e se acreditasse, certamente não seria dessa maneira) acho que heranças acima de um certo limite deveriam ser abolidas.
Os pais só deveriam poder deixar aos filhos suas próprias casas, lembranças e, principalmente, seu modo de vida, cultura e ideais. Propriedades, só as pequenas. Negócios, apenas os que não se desenvolveram o suficiente pra que o herdeiro tivesse realmente que trabalhar. dinheiro, muito pouco. todos teriam obrigação de gastar em vida o que conquistaram com o próprio esforço. E aos que defendem o capitalismo puro por achar que apenas a competição leva ao progresso, esse sistema seria certamente muito mais competitivo.
Seria justo. A mesma reta de largada para todos. A reta de chegada dependeria de cada um. E de repente, acumular dinheiro deixaria de ser a forma mais importante de se destacar e ser bem-sucedido. O único problema seria continuar achando compradores para as Ferraris e os iates!!
posted by Ligeirinho |
7:00 PM
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10.3.04
Sobre coisas para escrever
Um recurso muito usado por que não sabe sobre o que escrever é justamente se falar sobre a incapacidade de escrever. Mas, convenhamos, muita gente já usou isso. Recurso manjadíssimo. E eu tenho que confessar que assuntos não me faltaram pra escrever - o que me faltou mesmo foi tempo, ou melhor, alguns minutos para respirar fundo, descontrair os ombros e se deixar guiar pelos dedos no teclado. Felizmente, meu trabalho de mestrado tem sido muito absorvente e não tem me deixado tempo para pensar em outras coisas.
Em todo esse tempo em que não escrevi, eu quis escrever sobre vários assuntos.
Sobre a solidão. Há algo mais solitário do que ter que tomar uma decisão crucial? Você pode consultar muitas pessoas, pedir conselhos, mas no final, sempre será apenas você decidindo.
Sobre a vida. Que diacho é isso? O que nos difere das formigas? Nossa passagem pelo mundo se resume a fazer parte de uma sociedade, sustentá-la, procriar e morrer para que no futuros outros façam o mesmo?
Sobre a guerra. Será que já houve uma guerra justa?
Sobre tolerância. Sobre o equilíbrio para nos orgulharmos do que somos e ao mesmo tempo não detestar que é de outro jeito.
Sobre Deus. Sobre o fato terrível de praticamente todas as religiões se sentirem as únicas donas da verdade. Sobre minha impressão de que Deus é tolerante o suficiente para permitir várias formas de conhecê-Lo. Sobre minha posição de que um ateu justo é muito mais respeitável do que um justo "temente" a Deus, ou de que pelo menos é merecedor do paraíso.. Sobre minha conclusão de que não deve haver uma única religião correta, e sim que para cada um há uma religião mais apropriada.
Sobre a amizade. Sobre como é desagradável ver amizades que pareciam sólidas serem consumidas pelo tempo, até que ao se encontrar, amigos pouco tem a dizer um para o outro, depois de contar todas as novidades. Sobre o fato de que já cheguei apensar que já conhecia gente demais, e que os amigos que eu tinha em bastavam, e hoje ver que noventa por cento dos amigos são recicláveis.
Viram como não me faltou sobre o que escrever? O pior é que, no fundo, tenho a impressão de que não escrevi mesmo por preguiça. E acho que fiz certo. Escrever é prazeiroso, mas transformar isso numa obrigação pode ser chatíssimo. Por essas e outras, agradeço por ter escolhido engenharia e não jornalismo.
posted by Ligeirinho |
11:44 AM
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